Immanuel Maurice Wallerstein (Nova Iorque, 28 de Setembro de 1930) é um sociólogo estadunidense, mais conhecido pela sua contribuição fundadora para a teoria do sistema-mundo. Seus comentários bimensais sobre questões globais são distribuídos pela Agence Global para publicações como Le Monde diplomatique e The Nation. No Brasil, seus artigos são publicados na revista Fórum.
A sua crítica do capitalismo global e o apoio aos movimentos anti-sistêmicos espalharam a sua fama para lá do mundo acadêmico e tornaram-no um arauto do movimento anti-globalização, à imagem de Noam Chomsky ou Pierre Bourdieu.
Wallerstein recusou a noção de Terceiro Mundo, argumentando que existia apenas um mundo articulado por uma complexo sistema de trocas econômicas — uma economia mundial ou sistema mundial — caracterizado pela dicotomia entre capital e trabalho e a acumulação de capital entre agentes em concorrência (nomeadamente os Estados-nação), num equilíbrio sempre ameaçado por fricções internas. Esta abordagem constitui a teoria do sistema mundial.
Ele identifica a origem do sistema mundial moderno na Europa e América do século XVI. Uma ligeira superioridade de acumulação de capital no Reino Unido e França, devida a circunstâncias políticas internas no final do feudalismo, desencadeou um processo de expansão que culminou no sistema global de trocas econômicas atualmente existente. No século XIX, praticamente todos os territórios do planeta haviam sido incorporados na economia mundial capitalista.
O sistema mundial capitalista é muito heterogêneo em termos culturais, políticos e econômicos, abarcando grandes diferenças de desenvolvimento civilizacional, acumulação de capital e poder político. Ao contrário de teorias positivistas da modernização e desenvolvimento capitalista, Wallerstein não atribui estas diferenças a um atraso de certas regiões face a outras, que a própria dinâmica do sistema tenderia a apagar, mas à própria natureza do sistema mundial. Ao sistema mundial é inerente uma divisão entre centro, periferia e semiperiferia, em função da divisão do trabalho entre as regiões.
O centro é a área de grande desenvolvimento tecnológico que produz produtos complexos; a periferia é a área que fornece matérias-primas, produtos agrícolas e força de trabalho barata para o centro. A troca econômica entre periferia e centro é desigual: a periferia tem de vender barato os seus produtos enquanto compra caro os produtos do centro, e essa situação tende a reproduzir-se de forma automática, quase determinista, embora seja também dinâmica e mude historicamente. A semiperiferia é uma região de desenvolvimento, intermédio que funciona como um centro para a periferia e uma periferia para o centro. Em finais do séc. XX incluiria regiões como o a Europa Oriental, o Brasil ou a China. Regiões centrais e periféricas podem coexistir em espaços muito próximos.
Uma consequência da expansão do sistema mundial é a contínua "mercadorização" das coisas, incluindo o trabalho humano. Recursos naturais, terra, trabalho, relações sociais são gradualmente espoliados do seu valor intrínseco e transformadas em mercadorias cujo valor de troca é determinado no mercado.
A sua abordagem analítica, a par das de teóricos análogos como André Gunder Frank, Theotonio dos Santos, Terence Hopkins, Samir Amin ou Giovanni Arrighi tiveram um impacto e implantação académica consideráveis.
Em Portugal, por exemplo, a escola ligada ao sociólogo Boaventura de Sousa Santos baseou a sua caracterização da sociedade portuguesa, a teoria da semiperiferia, diretamente na teoria do sistema mundial. No Brasil, há inclusive um núcleo de pesquisa especialmente dedicado a essa abordagem científica, o Grupo de Pesquisa em Economia Política dos Sistemas-Mundo, sediado no Departamento de Economia da Universidade Federal de Santa Catarina.

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